“Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.”
Hebreus 3:14 | ARC
Preciso olhar para dentro e perceber se aquilo que começou com entusiasmo também está se transformando em perseverança. Porque uma coisa é começar empolgado; outra coisa é permanecer quando chegam as dificuldades.
Jesus disse:
“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.”
Mateus 24:13 | ARC
Então não estamos falando apenas de começar uma caminhada com Cristo. Estamos falando de chegar até o fim.
Começar empolgado é mais fácil
É natural começarmos muitas coisas com entusiasmo. Isso acontece num namoro, num emprego, numa faculdade, num projeto e também na vida espiritual. No começo existe novidade, expectativa e disposição. Essa empolgação tem seu valor, porque muitas vezes é ela que nos coloca em movimento.
Mas empolgação não é a mesma coisa que compromisso. Só o tempo começa a mostrar a diferença.
Enquanto tudo está fácil, parece que estamos muito firmes. A verdadeira prova aparece quando chegam as dificuldades, o desânimo, as críticas, as perseguições ou alguma proposta tentadora. É aí que começamos a descobrir se existia apenas entusiasmo ou se realmente criamos raízes.
A dificuldade revela aquilo que a empolgação esconde
Jesus mostrou isso na parábola do semeador. Há quem receba a Palavra com alegria, mas não cria raiz. Quando aparece a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, logo se escandaliza.
“O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração…”
Mateus 13:20-21 | ARC
O problema não estava na alegria do começo. O problema era não ter raiz para suportar aquilo que viria depois.
A dificuldade tem essa capacidade de revelar o que estava escondido. Enquanto está tudo bem, muitas coisas parecem fortes. Quando vem a pressão, aparece a verdadeira condição da nossa fé.
Alguns discípulos começaram, mas não continuaram
João 6 mostra um momento em que muitos discípulos de Jesus voltaram para trás. Enquanto ouviam aquilo que lhes agradava, estavam por perto. Quando Jesus trouxe uma palavra que os confrontou, disseram que aquele discurso era duro.
E muitos deixaram de andar com Ele. Havia empolgação, mas faltava raiz.
Os que permaneceram reconheceram que, mesmo quando a Palavra confrontava, Jesus continuava tendo as palavras da vida eterna.
Esse é um ponto importante para o nosso check-up. Não posso permanecer com Cristo somente enquanto ouço aquilo que gosto. Compromisso verdadeiro permanece também quando a Palavra mexe comigo, confronta meu comportamento e exige mudança.
“Retivermos firmemente”
Hebreus diz:
“…se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.”
Hebreus 3:14 | ARC
A palavra reter traz a ideia de manter, conservar, guardar, segurar. Pode também transmitir a figura de represar, como quem constrói uma barreira para conter alguma coisa.
E uma barreira não se constrói sem trabalho.
É aí que aparece a diferença entre o empolgado e o comprometido. Quem vive apenas de empolgação não quer o trabalho da construção. Quer o resultado sem esforço, a caminhada sem pressão, a fé sem confronto.
O comprometido vai construindo. Vai criando resistência. As lutas não desaparecem, mas ele vai aprendendo a permanecer no meio delas.
A honra é de quem termina
Não existe grande mérito apenas em começar.
Numa corrida, o prêmio não é entregue simplesmente porque alguém largou. A honra é de quem chega.
Na vida também vemos muita gente começando projetos, planos e propósitos. Nem todos terminam. É justamente a continuidade que revela o compromisso.
Na caminhada cristã não pode ser diferente. Começar com alegria é importante. Mas precisamos terminar com fidelidade.
A vida cristã é uma maratona
A fé não é um esforço explosivo de curta duração. Ela exige resistência.
Existem momentos em que teremos pessoas ao nosso lado nos ajudando. Em outros, talvez não tenhamos o apoio que gostaríamos. Podemos atravessar situações em que cônjuge, pais, filhos ou mesmo pessoas próximas não consigam nos fortalecer como esperávamos.
Ainda assim, precisamos permanecer.
A Bíblia apresenta pessoas que continuaram com Deus mesmo atravessando situações difíceis. A fé não pode depender somente de quem está ao nosso redor.
Chega um momento em que precisamos aprender a caminhar porque sabemos em quem temos crido.
Não podemos continuar crianças espirituais
Paulo chamou atenção de cristãos que, pelo tempo de caminhada, já deveriam ter amadurecido, mas ainda precisavam ser tratados como crianças. Continuavam dependendo de “leite”, quando já deveriam estar preparados para alimento mais sólido.
Existe um tempo para ser ajudado, mas também existe um tempo para ajudar.
O crente mais maduro precisa aprender a suportar os mais fracos. Não podemos passar a vida toda exigindo que alguém nos carregue.
Crianças espirituais tendem a lidar mal com a pressão. Qualquer situação produz choro, irritação e vontade de desistir. O amadurecimento não elimina as dificuldades, mas muda a maneira como reagimos a elas.
Não somos premiados apenas por começar
A mensagem traz uma comparação simples: medalhas e troféus são entregues para quem conclui. A honra não está apenas em ter iniciado.
Também vemos que muitas pessoas fazem planos, estabelecem metas e começam cheias de disposição, mas uma parte desiste antes de chegar ao resultado.
Isso também pode acontecer espiritualmente.
Podemos iniciar com muita força e, algum tempo depois, perder o entusiasmo. É justamente aí que o compromisso precisa assumir o lugar da empolgação.
A empolgação pode nos fazer começar. A perseverança é que nos faz continuar.
“Ao que vencer”
Apocalipse repete várias vezes uma expressão dirigida às igrejas:
“Ao que vencer…”
A ideia é permanecer, superar e chegar até o final.
Não estamos falando de vencer pessoas. O bom combate da fé não é uma disputa para provar que somos melhores do que alguém. É permanecer fiel apesar das pressões que tentam nos tirar do caminho.
- É continuar quando chegam as críticas.
- É resistir às propostas que nos afastam de Deus.
- É manter a confiança mesmo quando a caminhada fica difícil.
Empolgação faz começar; compromisso faz chegar
Começar empolgado pode nos transformar em corredores. Mas permanecer até o fim é o que faz de nós vencedores.
O Céu não é para quem apenas teve um bom começo. Precisamos continuar firmes.
Cristo nunca prometeu que a caminhada seria sem luta. Haverá pressões, dificuldades e momentos em que seremos apertados. Mas Deus conhece nossos limites e usa até essas situações para nos alinhar e fortalecer.
Por isso, quando a caminhada apertar, não abandone aquilo que começou.
- Quando vier a crítica, permaneça.
- Quando faltar apoio, permaneça.
- Quando a empolgação diminuir, permaneça.
O check-up precisa mostrar se a nossa fé tem somente entusiasmo ou se já existe compromisso.
“Retivermos firmemente […] até ao fim.”
A caminhada é daqui até o Céu. Então, independentemente das lutas que apareçam, a decisão precisa continuar sendo esta: segurar na mão de Deus e seguir até o fim.
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