Esboço de Hebreus 10:39 – Perseverar para a Conservação da Alma

“Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.”

Hebreus 10:39 | ARC

A vida cristã precisa ser marcada por perseverança. Hebreus apresenta um contraste muito claro: existem aqueles que recuam e caminham para a perdição, mas existem aqueles que creem e permanecem para a conservação da alma. A nossa decisão precisa estar nesse segundo grupo.

Não podemos permitir que guerras, situações difíceis, pessoas ou qualquer circunstância alterem a nossa fé e o projeto de vida que temos com Deus. A vida é breve. A qualquer momento a nossa “senha” pode ser chamada, ou a trombeta pode soar. Por isso precisamos continuar olhando para dentro e verificando se ainda estamos caminhando na mesma direção.

A fé também precisa de manutenção

Paulo não manda examinar os outros. Ele diz: “Examinai-vos a vós mesmos.” Esse check-up precisa ser contínuo. Assim como um veículo necessita de manutenção e o corpo precisa de acompanhamento, a nossa vida espiritual também precisa ser observada.

O problema é que muitas vezes fazemos exatamente o contrário: cuidamos da casa, do carro, da saúde física e deixamos a vida espiritual em segundo plano, quando deveria ocupar um lugar de prioridade. Se alguma coisa começa a apresentar sinais de enfraquecimento, é melhor perceber enquanto ainda existe tempo para corrigir.

A ideia de que alguém pode simplesmente fazer uma experiência com Deus no passado e depois viver de qualquer maneira não combina com o chamado bíblico à perseverança. Jesus ensinou a necessidade de permanecer até o fim. A caminhada precisa continuar.

O perigo de ser “enfeitiçado”

Paulo fez uma pergunta muito forte aos gálatas:

“Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade…?”

Gálatas 3:1 | ARC

A expressão usada traz a ideia de alguém que foi seduzido, fascinado, como se tivesse perdido a capacidade de perceber o perigo. A mensagem faz uma comparação com a presa que fica paralisada diante da serpente e acaba sendo destruída.

É um alerta espiritual. Assim como Eva foi enganada pela serpente, existe o risco de alguém começar bem e depois permitir que o engano tire sua percepção. A pessoa perde o juízo espiritual, deixa de obedecer à verdade e passa a aceitar aquilo que antes reconhecia como errado.

É por isso que precisamos estar atentos. Não basta dizer que um dia conhecemos a verdade. Precisamos continuar nela.

Não viva uma fé flutuante

A proteção contra as astutas ciladas do maligno também envolve responsabilidade espiritual.

O Salmo diz:

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.”

Salmo 91:1 | ARC

Observe a palavra “habita”. Quem habita tem moradia. Não é alguém que aparece de vez em quando.

A fé não pode ser flutuante, dependendo do ambiente, da situação ou daquilo que está acontecendo ao nosso redor. Precisamos permanecer em Deus.

Vivemos cercados por influências culturais e sociais que continuamente pressionam nossas crenças e valores. Se não houver firmeza, aquilo que ouvimos todos os dias pode começar a substituir, pouco a pouco, aquilo que aprendemos na Palavra.

Quando tudo começa a ser relativo

Um dos problemas do nosso tempo é o chamado relativismo moral. É a ideia de que não existem padrões absolutos e que tudo depende da pessoa, da cultura ou da situação.

A tolerância vai sendo levada para um nível em que “tudo é aceitável”.

E, nesse ambiente, a vida espiritual pode começar a deteriorar.

  • A oração diminui
  • A leitura bíblica perde espaço
  • A consagração fica para depois
  • E o tempo vai sendo ocupado por tantas outras coisas.

As redes sociais também podem contribuir para isso quando passamos horas consumindo conteúdos sem valor e permitindo que pessoas sem compromisso com Deus influenciem nossa maneira de pensar. Aos poucos, aquilo que deveria fortalecer a fé é substituído por coisas que não acrescentam nada à caminhada.

Precisamos fazer o check-up também nessa área: o que está alimentando a minha mente e a minha fé?

Fé bíblica não é autoajuda

Existe uma diferença entre a fé bíblica e uma mensagem de autoajuda.

A fé bíblica é centrada em Deus e em sua Palavra. Ela envolve:

  1. confiança;
  2. obediência;
  3. submissão;
  4. transformação;
  5. salvação.

Não estamos falando de uma relação comercial com Deus. A fé verdadeira produz um relacionamento profundo que transforma a pessoa de dentro para fora.

Ela também olha para o Céu. E continua confiando na vontade de Deus mesmo quando não recebe imediatamente aquilo que desejava.

A autoajuda, por outro lado, coloca o foco principalmente no indivíduo e em sua melhoria pessoal através de técnicas e estratégias humanas. O perigo aparece quando misturamos essas duas coisas e transformamos o culto em uma palestra motivacional e a fé em um produto para alcançar resultados imediatos.

Deus não é uma fórmula

Quando a fé é tratada como uma fórmula para conseguir o que queremos, basta o resultado não aparecer para começar a procura por outra “receita”.

Mas relacionamento com Deus não funciona assim.

A fé não é uma ciência exata nem uma experiência de laboratório em que controlamos todas as variáveis e determinamos o resultado. Ela entra também no terreno do sobrenatural.

Há coisas que Deus faz que ultrapassam a nossa lógica. O próprio Evangelho apresenta acontecimentos que não cabem numa explicação humana simples, como a multiplicação dos pães e dos peixes.

Fé também é confiar quando não entendemos.

Não posso limitar Deus dizendo: “Eu não faria dessa maneira.” Deus não precisa trabalhar segundo a minha lógica.

Como está a minha fé hoje?

Depois de tudo isso, precisamos voltar ao autoexame.

Como está a minha fé?

Está:

  • perdida?
  • enfraquecendo?
  • perseverando?
  • crescendo?

Essa pergunta precisa ser respondida com sinceridade.

Se houve perda ou declínio, ainda existe esperança de restauração. A fé pode ser recuperada e fortalecida.

Os discípulos fizeram um pedido a Jesus:

“Senhor, acrescenta-nos a fé.”

Lucas 17:5 | ARC

Eles reconheceram que precisavam crescer.

Talvez esse também seja o nosso ponto: perceber que não podemos permanecer no mesmo nível para sempre.

Uma fé que permanece mesmo na adversidade

A mulher sunamita, mesmo diante da morte do filho, quando foi questionada, ela respondeu:

“Tudo vai bem.”
2 Reis 4:26 | ARC

Ela estava enfrentando uma situação humanamente desesperadora, mas continuou caminhando em direção ao homem de Deus.

É o exemplo de fé que não abandona sua direção diante da adversidade.

Isso não significa ignorar a dor. Significa não permitir que a dor tenha a palavra final sobre a nossa confiança em Deus.

Há momentos em que precisaremos continuar mesmo sem compreender completamente o que está acontecendo.

Não somos daqueles que recuam

A frase de Hebreus precisa se tornar um lema para a nossa caminhada:

“Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição…”

  • Não quero viver uma fé que muda conforme o ambiente.
  • Não quero uma fé sustentada apenas por mensagens motivacionais.
  • Não quero permitir que influências externas roubem aquilo que Deus colocou no coração.

Quero continuar.

Se a fé enfraqueceu, precisa ser fortalecida. Se houve declínio, precisa haver restauração. Se estamos perseverando, precisamos continuar. E se estamos crescendo, não podemos parar.

A vida é breve, e a nossa maior preocupação não pode ser apenas chegar bem ao final desta vida. Precisamos chegar ao final conservando a alma.

“…mas daqueles que creem para a conservação da alma.”

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