22 – E apiedai-vos de alguns que estão duvidosos;
23 – e salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia com temor, aborrecendo até a roupa manchada da carne.
Judas 1:22,23 | ARC
Judas apresenta uma responsabilidade muito séria: existem pessoas que precisam ser alcançadas antes que seja tarde.
Algumas estão em dúvida. Outras já caminham em direção ao fogo. E nós não podemos simplesmente assistir.
Somos chamados a ter misericórdia, aproximar-nos e ajudar no resgate. Mas o texto também acrescenta algo indispensável: “com temor”.
Precisamos alcançar quem está caído sem cair junto. Aproximar-nos de quem precisa de ajuda sem permitir que aquilo que destrói a vida daquela pessoa também entre em nossa vida.
Somos chamados para ser socorristas espirituais.
Os últimos dias e a necessidade de sermos diferentes
Paulo descreve em 2 Timóteo 3:1-5 várias características dos últimos dias.
Ele fala de homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, desobedientes aos pais, ingratos, cruéis e mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus.
É uma descrição antiga, mas que parece cada vez mais presente.
E, depois de apresentar essas características, vem uma orientação direta:
“Destes afasta-te.”
2 Timóteo 3:5
Se o mundo caminha em determinada direção, não precisamos caminhar junto.
O nosso desejo precisa ser outro: já não quero ser igual.
Não podemos apenas acompanhar a deterioração
Se determinadas atitudes vão se tornando mais fortes ao nosso redor, isso não significa que precisam crescer dentro de nós.
O cristão precisa ser diferente.
Não diferente apenas na aparência, mas na maneira de pensar, escolher, agir e se relacionar.
Nosso caminho não é acompanhar a deterioração espiritual dos últimos dias. É buscar melhora.
Queremos crescer espiritualmente porque nossa expectativa não termina nesta vida. Estamos caminhando para a eternidade com Cristo.
Andar, deter-se e assentar-se
O Salmo 1 apresenta uma progressão que merece atenção:
“Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”
Salmo 1:1
Há três movimentos nesse texto.
1. Andar
É o contato inicial.
Vivemos no mundo e, muitas vezes, teremos contato com pessoas, ambientes e situações diferentes daquilo que cremos.
Nem todo contato significa envolvimento.
2. Deter-se
Aqui começa o perigo.
Deter-se é parar, permanecer, prolongar aquilo que deveria ter sido apenas uma passagem.
Foi assim no Éden. Eva não apenas percebeu aquilo que estava diante dela. Houve um momento em que permaneceu olhando e ouvindo.
Há situações em que precisamos seguir em frente.
3. Assentar-se
É um nível ainda maior de envolvimento.
Já não é apenas passar ou parar. É acomodar-se naquele ambiente e participar daquilo que antes apenas estava ao redor.
Por isso, precisamos perceber o caminho antes que o envolvimento se torne mais profundo.
Ponderar a vereda dos nossos pés
“Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados.”
Provérbios 4:26
Ponderar é raciocinar, meditar e avaliar antes de agir.
Precisamos observar para onde determinado caminho está nos levando.
Há decisões tomadas no impulso que poderiam ser evitadas se parássemos para pensar.
Antes de avançar, precisamos avaliar:
- Isso agrada a Deus?
- Onde esse caminho vai terminar?
- Essa escolha vai me aproximar ou me afastar do Senhor?
Nem tudo precisa ser decidido no primeiro impulso.
Somos chamados para socorrer
Judas apresenta uma imagem muito forte:
“Salvai alguns, arrebatando-os do fogo.”
É como entrar em uma situação de perigo para retirar alguém de lá.
Há pessoas caminhando para a perdição e nós recebemos uma missão de resgate.
- Precisamos falar de Jesus.
- Precisamos demonstrar misericórdia.
- Precisamos ensinar.
- Precisamos orar.
- Precisamos chorar pelas almas.
Não fomos chamados para assistir de longe enquanto pessoas caminham para a destruição.
Misericórdia com temor
O mesmo texto que manda resgatar também manda ter temor.
Isso é equilíbrio.
Quem entra para socorrer precisa estar preparado para não se tornar também uma vítima.
Podemos nos aproximar de quem está no pecado para ajudar, mas não podemos permitir que o pecado daquela pessoa comece a exercer influência sobre nós.
- É misericórdia, mas com temor.
- É aproximação, mas com vigilância.
- É amor pelas pessoas sem concordância com aquilo que está destruindo suas vidas.
Cuidado com o jugo desigual
Paulo também ensina:
“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis.”
2 Coríntios 6:14
Isso não significa odiar quem ainda não serve a Deus.
Se fosse assim, como alcançaríamos essas pessoas?
O alerta está no tipo de vínculo e influência.
Paulo pergunta que comunhão pode haver entre justiça e injustiça, luz e trevas, Cristo e Belial.
Não podemos construir uma ligação tão profunda com aquilo que é contrário a Deus a ponto de perdermos nossa própria identidade.
Influenciar sem ser influenciado
Precisamos estar perto o suficiente para alcançar, mas firmes o suficiente para não sermos arrastados.
O propósito é influenciar.
Se começamos a receber mais influência do ambiente do que estamos levando para ele, precisamos vigiar.
O socorrista não pode entrar no lugar de perigo sem preparo e acabar precisando ser socorrido também.
Nossa presença precisa apontar para Cristo.
Um testemunho que tenha peso
Para falar de Jesus, nosso testemunho também precisa ser coerente.
Não podemos viver como um “007 espiritual”, escondendo a fé, camuflando aquilo que cremos e aparecendo como cristãos apenas quando é conveniente.
As pessoas que convivem conosco precisam perceber que existe uma diferença.
- Na família.
- No trabalho.
- Entre os amigos.
- Na vizinhança.
Quando nossa vida está de acordo com aquilo que pregamos, nossas palavras têm peso.
O valor de uma alma
Uma alma tem valor incalculável.
O preço pago por ela foi o sangue de Jesus.
Por isso, não podemos tratar com indiferença alguém que está se perdendo.
Cada oportunidade de falar de Cristo tem valor. Cada oração por alguém tem valor. Cada atitude de misericórdia pode fazer parte de um resgate.
Não sabemos quantas oportunidades ainda teremos.
Nossa missão é resgatar
Somos chamados para viver separados do pecado, mas não indiferentes aos pecadores.
Precisamos manter nossa identidade, guardar nossa fé e, ao mesmo tempo, estender a mão para quem precisa ser alcançado.
Não queremos ser iguais ao mundo. Mas também não queremos ficar apenas olhando enquanto pessoas caminham para o fogo.
Queremos ser instrumentos de resgate.
- Com amor.
- Com misericórdia.
- Com oração.
- Com ensino.
E sempre com temor, para que, enquanto ajudamos outros a encontrar o caminho de Cristo, também permaneçamos firmes nele.
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