Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros,
2 Tessalonicenses 1:3 | ARC
Quando fazemos um check-up espiritual, não basta perguntar apenas se ainda temos fé. Precisamos perceber em que estado ela se encontra.
A Bíblia continua sendo o nosso manual para essa avaliação, e a oração faz parte desse processo, porque existem coisas que não percebemos numa análise superficial. Precisamos parar, olhar para dentro e verificar se a nossa fé está crescendo, permanecendo, enfraquecendo ou se já sofreu algum tipo de naufrágio.
A vida cristã não pode ficar no automático. Há influências, distrações e até vícios que vão ocupando espaço e, quando percebemos, aquilo que deveria receber prioridade foi ficando para depois. É por isso que esse check-up precisa continuar.
Precisamos batalhar pela fé
Judas escreveu:
“…batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”
Judas 1:3 | ARC
A fé recebida precisa ser preservada.
Quando a Bíblia fala em batalhar pela fé, não está falando de violência, orgulho ou discussões para provar que somos melhores do que alguém. É outra batalha. É o esforço para continuar vivendo aquilo que aprendemos na Palavra, defender os princípios que recebemos e não permitir que as influências do mundo enfraqueçam aquilo que Deus colocou dentro de nós.
Essa batalha envolve algumas decisões:
- manter e defender a fé recebida;
- viver de acordo com os princípios e valores cristãos;
- resistir às influências que corrompem ou enfraquecem a fé;
- permanecer firme na verdade da Palavra mesmo quando surgem dificuldades.
Paulo pôde dizer no final:
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”
2 Timóteo 4:7 | ARC
Existe um bom combate. E existe também o combate errado, provocado por orgulho, violência, manipulação e desonestidade. Não podemos confundir as duas coisas.
Em que nível está a nossa fé?
Dentro desse check-up, a mensagem apresenta quatro situações em que uma pessoa pode se encontrar espiritualmente.
Não estamos falando simplesmente de quem frequenta ou não frequenta a igreja. Estamos falando do estado interior da fé.
A pergunta é: onde estamos hoje?
1. Os que perderam a fé
Existem pessoas que começaram bem, mas desviaram do caminho.
Paulo apresenta exemplos de homens que sofreram naufrágio na fé. Himeneu e Fileto aparecem entre aqueles que se desviaram da verdade e ainda começaram a influenciar outras pessoas.
Esse é um perigo sério.
Quem está se afogando, muitas vezes, na tentativa desesperada de se salvar, pode puxar outra pessoa junto. Espiritualmente também acontece. Alguém abandona aquilo que cria e começa a tentar convencer os outros de que também deveriam abandonar.
Não basta perceber que determinada pessoa perdeu a fé. Precisamos cuidar para que aquilo que a derrubou não comece a nos puxar também.
2. Os que estão perdendo a fé
Existe uma situação que talvez seja ainda mais difícil de perceber: a pessoa ainda não abandonou completamente, mas está em processo de declínio.
É como uma doença que vai avançando pouco a pouco. É como uma gangrena ou um câncer: começa numa área e, se não for tratado, vai tomando espaço.
Espiritualmente isso pode acontecer quando começamos a dar ouvido a pessoas que apostataram, enchemos a mente de dúvidas e vamos abandonando o “manual” — a Palavra — para dar mais atenção a conteúdos superficiais.
- A fé vai ficando doente.
- A dúvida aumenta.
- A disposição diminui.
E chega um momento em que essa fé enferma pode produzir uma espécie de paralisia espiritual.
Por isso precisamos detectar o processo antes que ele avance.
3. Os que estão perseverando na fé
Há também aqueles que permanecem firmes.
São pessoas que, apesar das adversidades e das influências negativas, continuam caminhando. Sua fé não está apoiada em seres humanos, mas em Jesus Cristo.
Tiago diz:
“Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida…”
Tiago 1:12 | ARC
Perseverar é continuar mesmo quando aparecem motivos para parar.
- É não abandonar a fé porque alguém decepcionou.
- É não desistir porque a resposta demorou.
- É não mudar de direção simplesmente porque a caminhada ficou difícil.
A Palavra também nos lembra que precisamos de paciência para alcançar aquilo que Deus prometeu.
“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”
Hebreus 10:36 | ARC
Então perseverar já é algo precioso. Mas ainda existe outro nível.
4. Os que estão crescendo na fé
Paulo escreveu aos tessalonicenses:
“…a vossa fé cresce muitíssimo…”
2 Tessalonicenses 1:3 | ARC
Esse é o nível desejado. Não apenas conservar aquilo que temos, mas crescer.
A palavra usada traz essa ideia de aumentar, desenvolver, prosperar. É uma fé que não ficou parada no mesmo lugar.
E observe que Paulo liga o crescimento da fé ao aumento do amor de uns pelos outros. A fé cresce e o amor transborda.
Quando a fé amadurece, não produz egoísmo, mesquinhez ou isolamento. Ela começa a aparecer também na maneira como tratamos as pessoas.
Uma fé crescente aproxima de Deus e também melhora nossa relação com o próximo.
Fé que cresce começa a transbordar
Existe uma diferença entre uma fé que apenas sobrevive e uma fé que transborda.
Quando a fé cresce, o amor também começa a alcançar quem está ao redor. A pessoa deixa de pensar somente em si mesma e passa a enxergar necessidades, servir, ajudar e contribuir.
Isso fortalece o relacionamento entre os irmãos e torna a igreja mais eficaz naquilo que Deus a chamou para fazer.
É justamente o contrário do egoísmo e da avareza.
Quem cresce espiritualmente entende que a vida não gira apenas em torno de acumular aqui. Existe algo maior. Há tesouros que precisam ser acumulados no Céu.
Faça o check-up da sua fé
Então precisamos voltar à pergunta inicial.
- Como está a nossa fé hoje?
- Está naufragada?
- Está enfraquecendo?
- Está perseverando?
- Ou está crescendo?
Não precisamos esconder o resultado do exame. Se percebemos declínio, precisamos buscar restauração. Se estamos perseverando, precisamos continuar. E se estamos crescendo, não podemos parar de crescer.
O propósito não é apenas dizer no final da caminhada: “Eu ainda tenho fé.”
Queremos poder olhar para trás e perceber que essa fé amadureceu, resistiu aos combates e produziu frutos.
Paulo olhou para aquela igreja e viu algo que merecia gratidão:
“A vossa fé cresce muitíssimo.”
Que esse também seja o resultado do nosso check-up: não uma fé parada, não uma fé doente, mas uma fé que cresce e transborda em amor.
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