Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si;
Romanos 1:24 | ARC
Romanos 1 mostra um momento muito sério: Deus entrega o homem aos seus próprios desejos.
Isso acontece quando a pessoa rejeita a vontade de Deus, insiste em caminhos alternativos e troca a verdade por substitutos. O abandono divino não é falta de poder de Deus, mas juízo sobre uma rebelião persistente.
A visão espiritual precisa perceber a gravidade disso. Há um ponto em que o homem quer tanto o seu próprio caminho, que Deus permite que ele siga aquilo que escolheu.
1. A humanidade trocou o culto a Deus
Romanos 1 mostra que a humanidade trocou o culto a Deus por coisas, objetos e pessoas.
A palavra ligada à ideia de “mudar”, “trocar”, “transformar” ou “substituir” aponta para essa troca do caminho claro e reto de Deus por alternativas.
Entre essas alternativas aparecem:
- amuletos;
- superstições;
- imagens;
- substitutos espirituais…
Essa troca traz consequencias eternas, porque o homem deixa o Criador e passa a confiar naquilo que não pode salvá-lo.
2. Deus os entregou
A expressão aparece em Romanos 1:24, 26 e 28. Deus os entregou. Deus os abandonou.
Esse é um juízo em que Deus retira sua mão protetora e permite que as pessoas sigam seus próprios desejos.
Atos 7 é lembrado nesse contexto, quando o povo de Israel adorou o bezerro e depois Moloque, deus amonita e cananeu associado ao sacrifício de crianças.
Esse ponto também é relacionado à prática moderna do aborto, apresentada como assassinato de indefesos.
Quando o homem insiste em rejeitar Deus, ele passa a colher as consequências das próprias escolhas.
3. Há um limite para a insistência de Deus
A Bíblia mostra outras passagens que confirmam essa verdade.
Em Salmo 81:11-12, Israel não quis ouvir a Deus, e Deus os entregou aos desejos de seus corações.
11 – Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis.
12 – Pelo que eu os entreguei aos desejos do seu coração, e andaram segundo os seus próprios conselhos.
Salmos 81:11,12 | ARC
Em Gênesis 6:3, Deus declara que o seu Espírito não contenderá para sempre com o homem.
Então, disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.
Gênesis 6:3 | ARC
Em Provérbios 1:24-31, aqueles que rejeitam os conselhos e repreensões de Deus verão a perdição e clamarão em vão.
Em Juízes 10:13,14, Deus diz ao povo que, por terem deixado o Senhor e servido a outros deuses, Ele não os livraria mais.
Sansão também é um exemplo, sua teimosia em pecar levou ao abandono de Deus, permitindo que ele vivesse as consequências de suas escolhas.
4. Abandono não é o mesmo que correção
Hebreus 12:5-11 mostra que Deus corrige a quem ama, como um pai corrige o filho.
Por isso, crises, dificuldades e aflições podem ser sinais de que Deus ainda está chamando alguém de volta.
O filho pródigo é um exemplo de alguém que, por meio da aflição, retornou ao pai.
Mas existe também o perigo de uma aparente prosperidade sem correção. A pessoa vive no pecado, não sente repreensão, não percebe disciplina, e continua seguindo seus próprios caminhos.
Deus conhece o coração. Ele sabe distinguir quem ainda anseia por misericórdia e quem já removeu Deus completamente da mente e do coração.
5. A fé exige vigilância espiritual
Pedro fala da gravidade de retornar ao pecado depois de ter escapado da corrupção do mundo por Cristo.
Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado.
2 Pedro 2:21 | ARC
A fé não é passiva. Ela exige oração constante, busca pelo Espírito Santo e mortificação da carne.
O Espírito Santo atua como freio moral. Ele convence do pecado, da justiça e do juízo.
Sem essa presença, a pessoa perde o pudor, perde a vergonha e passa a agir sem remorso.
6. O chamado é para arrependimento e temor
Precisamos buscar misericórdia, arrependimento sincero e força para corrigir desvios de comportamento.
A oração e os propósitos espirituais, como o jejum, fortalecem o espírito e ajudam a subjugar a carne.
Essa é uma palavra dura, mas necessária. O abandono de Deus é algo terrível. Por isso, precisamos manter a visão espiritual, conservar o temor do Senhor e não trocar o caminho de Deus pelos desejos do coração humano.
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