“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”
Provérbios 15:1 | ARC
Nem todo problema do nosso check-up espiritual está escondido. Existem coisas que aparecem no comportamento, na maneira de falar, na forma como reagimos quando somos contrariados. E uma dessas áreas é a agressividade.
Fazer um check-up espiritual significa sair da zona de conforto e entrar na zona de confronto. É parar de olhar somente para aquilo que está bem e permitir que Deus mostre o que ainda precisa de ajuste, correção e mudança.
Nem sempre é agradável reconhecer um defeito em nós mesmos. Mas o diagnóstico só tem valor quando existe sinceridade.
O check-up precisa chegar ao comportamento
Todos nós temos áreas mais suscetíveis a sair da linha. Para alguns pode ser a impaciência. Para outros, a maneira de falar. Há quem se irrite com facilidade e quem responda de forma agressiva antes mesmo de pensar.
Esse tipo de agressividade pode aparecer de forma física ou verbal. E, quando não é tratado, produz divisão, destrói relacionamentos e afasta a pessoa tanto de Deus como daqueles que estão ao seu redor.
Às vezes, depois de uma explosão, vem a vergonha. A pessoa olha para trás e pensa: “Eu não deveria ter feito isso. Não deveria ter falado daquele jeito.”
Se ainda existe esse incômodo, existe sensibilidade. O erro não deve ser justificado, mas essa percepção pode ser o começo da correção.
A resposta branda evita muita coisa
Provérbios 15:1 ensina uma coisa simples e difícil ao mesmo tempo: a resposta branda desvia o furor.
Quando alguém vem com agressividade, a tendência natural é responder no mesmo tom. Se a pessoa levanta a voz, queremos levantar mais. Se fala duro, queremos falar ainda mais duro.
Só que a Palavra ensina outro caminho.
A agressividade não precisa ser a nossa resposta à provocação.
Uma palavra branda pode impedir que uma situação pequena se transforme numa grande confusão. Já uma palavra dura acrescenta combustível ao fogo.
Pronto para ouvir e tardio para falar
Tiago também nos dá uma orientação muito prática:
“Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.”
Tiago 1:19 | ARC
Olha a ordem:
- pronto para ouvir;
- tardio para falar;
- tardio para se irar.
Nós muitas vezes fazemos o contrário. Somos rápidos para falar, rápidos para nos irritar e demoramos para ouvir.
A Palavra ainda diz que a ira do homem não opera a justiça de Deus. Então não podemos justificar nossas explosões dizendo que estávamos defendendo o que era certo. Posso até ter razão no assunto e ainda estar errado na maneira de agir.
Dominar o próprio espírito é uma grande vitória
Provérbios 16:32 compara duas forças: conquistar uma cidade e dominar a si mesmo.
“Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade.”
Provérbios 16:32 | ARC
- Às vezes queremos vencer o outro, mas a maior batalha está dentro de nós.
- É mais fácil vencer uma discussão do que vencer o próprio temperamento.
- É mais fácil provar que estamos certos do que controlar uma palavra que está prestes a sair.
A verdadeira vitória não é terminar uma discussão deixando o outro sem resposta. É conseguir dominar o próprio espírito.
A língua pode produzir vida ou morte
Provérbios 18:21 diz que a morte e a vida estão no poder da língua.
Palavras podem levantar alguém, mas também podem destruir. Uma frase dita num momento de ira pode deixar marcas durante muito tempo.
Por isso o salmista orou:
“Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios.”
Salmo 141:3 | ARC
Essa é uma oração que continua necessária. Tem hora que precisamos pedir a Deus não apenas sabedoria para falar, mas também ajudar a ficar calados.
Nem toda verdade precisa ser dita de qualquer maneira
Existe uma justificativa comum:
“Eu gosto das coisas certas. Eu só estou falando a verdade.”
Mas a verdade não nos dá licença para ferir pessoas.
Efésios 4:15 fala de seguir a verdade em amor. A verdade sem amor pode se tornar insuportável, e um amor que abandona a verdade também fica incompleto.
Jesus é o nosso modelo. João 1:14 apresenta nele graça e verdade.
Então não preciso escolher entre ser verdadeiro e ser amoroso. Posso falar a verdade sem humilhar ninguém.
Firmeza não é agressividade
Também precisamos aprender a diferença entre autoridade e agressividade.
- Ser firme não significa ser grosseiro.
- Ter convicção não significa tratar mal.
Jesus foi firme quando precisou, mas também disse:
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.”
Mateus 11:29 | ARC
Mansidão não é fraqueza. É força sob controle.
Posso defender aquilo em que creio sem transformar toda conversa em guerra.
A ira muitas vezes esconde outra coisa
Uma explosão pode parecer apenas irritação, mas às vezes existe orgulho escondido ali.
A pessoa pensa: “Como alguém teve coragem de falar comigo dessa maneira?” E a reação vem imediatamente.
Só que o check-up espiritual precisa ir além daquilo que aparece na superfície. Preciso descobrir de onde está vindo aquela reação.
- É justiça ou é orgulho?
- É firmeza ou é vontade de vencer?
- É zelo ou é um temperamento que nunca permiti que Deus tratasse?
O exame precisa ser sincero.
O cristão não precisa vencer todas as discussões
A melhor vitória nem sempre é ter a última palavra.
Às vezes, vencer é conseguir responder com amor quando poderíamos responder com agressividade. É ter graça mesmo estando com a razão.
Com a ajuda do Espírito Santo, nosso temperamento pode ser trabalhado. Aquilo que antes produzia explosões pode ser canalizado para algo bom.
Em vez de produtores de conflitos, podemos nos tornar pacificadores.
E um pacificador não é alguém que nunca enfrenta problemas. É alguém que consegue transformar conflitos em oportunidades de amadurecimento e crescimento.
O check-up espiritual precisa chegar também à nossa maneira de tratar as pessoas.
- Se existe agressividade, precisamos reconhecer.
- Se a nossa língua tem machucado, precisamos permitir que Deus coloque uma guarda nos nossos lábios.
- Se estamos sempre tentando vencer o outro, talvez seja hora de vencer primeiro a nós mesmos.
A resposta branda desvia o furor. E dominar o próprio espírito é uma vitória maior do que conquistar uma cidade.
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