“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.”
Mateus 24:12 | ARC
Continuamos fazendo o nosso check-up espiritual:
“Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.”
2 Coríntios 13:5 | ARC
Esse exame é para dentro. Não é uma oportunidade para descobrir em qual situação o irmão está, mas para eu perceber onde estou na minha caminhada com Deus. A vida espiritual não deve ficar entregue ao acaso. Preciso examinar, reconhecer aquilo que precisa melhorar e continuar buscando crescimento.
Quando fazemos essa avaliação, uma das perguntas mais importantes é: como está a minha fé hoje? Porque nem todos que um dia começaram permanecem na mesma condição. Há quem tenha perdido a fé, há quem esteja perdendo, há quem continue perseverando e há também aqueles cuja fé está crescendo.
“Não tenho fé para ser ateu”
Existe uma frase provocativa: “Não tenho fé para ser ateu.”
A ideia apresentada é que seria necessária muita fé para acreditar que tudo aquilo que existe surgiu do nada, sem um Criador. Nós cremos em Deus e reconhecemos que Ele está na origem da nossa existência. Por isso, dentro do nosso check-up, a questão não é simplesmente saber se acreditamos que Deus existe.
Precisamos ir além. A pergunta é: em que condição está essa fé que professamos?
É possível dizer que acredita em Deus e, mesmo assim, estar vivendo um processo de esfriamento. Então precisamos olhar com sinceridade para alguns estados em que a fé pode se encontrar.
1. Os que perderam a fé
Existem pessoas que começaram a caminhada, mas naufragaram.
Durante algum tempo professaram a fé, estiveram entre os crentes e conheceram aquilo que defendemos, mas depois abandonaram completamente aquilo em que acreditavam. Alguns chegam ao ponto da apostasia: não apenas deixam a fé, mas passam a se levantar contra a verdade que antes defendiam.
O mais triste é que nem sempre essa troca acontece por causa de uma grande questão. Há quem troque a fé por interesses terrenos.
Alguma coisa desta vida ganhou um valor maior.
- Uma vantagem.
- Um desejo.
- Um interesse.
E aquilo que deveria permanecer até o fim foi deixado para trás.
Esse é um alerta para nós. Não quero olhar para quem perdeu a fé apenas para apontar o que aconteceu com ele. Preciso olhar para mim e perguntar se existe alguma coisa tentando ocupar o lugar de Deus no meu coração.
2. Os que estão perdendo a fé
Talvez esse grupo exija ainda mais atenção porque a pessoa não abandonou totalmente. Ela continua ali, mas alguma coisa está acontecendo por dentro.
Jesus disse:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.”
Mateus 24:12 | ARC
Observe que o texto apresenta um processo. A iniquidade aumenta e o amor esfria.
A palavra iniquidade traz a ideia de viver sem lei, de rebeldia e desprezo deliberado pelos princípios de Deus. Quando isso vai se espalhando, a corrupção não fica apenas do lado de fora. Ela começa a afetar também a vida espiritual de quem não vigia.
É como uma epidemia.
Aquilo que antes causava espanto começa a se tornar comum. O que antes era rejeitado passa a ser tolerado. Depois de algum tempo, a pessoa perde a sensibilidade.
E o amor começa a esfriar.
Quando o amor Ágape esfria
O crescimento da iniquidade atinge justamente aquilo que deveria permanecer forte em nós: o amor de Deus.
Estamos falando do Ágape, o amor sacrificial, o amor ligado a Deus, à verdade e à vida espiritual.
Quando esse amor esfria, também diminui o compromisso. A sensibilidade espiritual começa a desaparecer. A vontade de permanecer fiel perde força.
Enquanto isso, outros desejos podem ocupar cada vez mais espaço. O problema é que podemos viver num tempo em que cresce o interesse por aquilo que satisfaz a carne, ao mesmo tempo em que diminui o fervor pelas coisas de Deus.
Precisamos fazer o check-up antes que o esfriamento se transforme em abandono.
Uma fé somente emocional não cria raízes
Jesus falou sobre aqueles que recebem a Palavra com alegria, mas não possuem raiz:
“E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo e, no tempo da tentação, se desviam.”
Lucas 8:13 | ARC
Existe uma fé muito ligada ao momento. A pessoa ouve, se emociona, se alegra, vive uma experiência forte, mas aquilo não aprofunda raízes.
- Quando chega a provação, não existe resistência.
- Quando vem a aflição, tudo começa a desaparecer.
É por isso que precisamos de uma fé relacional, construída numa caminhada verdadeira e duradoura com Deus. Emoção pode fazer parte da vida cristã, mas não pode ser a raiz dela.
A emoção passa. O relacionamento precisa permanecer.
3. Os que estão perseverando na fé
Existe outro grupo: aqueles que, mesmo em meio às lutas, continuam.
Eles passam por tentações, dificuldades e situações que poderiam fazê-los parar, mas permanecem cumprindo sua responsabilidade como cristãos.
Perseverar não significa nunca enfrentar dias difíceis. Significa não abandonar a caminhada por causa deles.
Houve períodos muito difíceis, como os vividos durante a pandemia, em que muita coisa mudou e todos enfrentaram pressões diferentes. Ainda assim, muitos continuaram firmes.
É disso que estamos falando.
- Não é ausência de luta.
- É resistência no meio dela.
A pessoa pode estar cansada, mas não recua. Pode enfrentar adversidades, mas continua buscando ser fiel.
Não basta começar, precisamos permanecer
A fé cristã não é uma corrida de alguns metros. Precisamos chegar até o fim.
É muito fácil começar alguma coisa com entusiasmo. O desafio aparece quando o tempo passa, os problemas chegam e já não existe aquela emoção do início.
É nessa hora que aparece a perseverança.
- Continuamos porque temos convicção.
- Continuamos porque decidimos permanecer com Deus.
- Continuamos porque aquilo que recebemos não é algo para uma fase da vida.
- É uma caminhada.
Por isso, se hoje estamos perseverando, precisamos agradecer a Deus e continuar vigilantes. Mas ainda existe outro nível.
4. Os que estão crescendo na fé
Há pessoas que não estão apenas resistindo. Elas estão crescendo.
Estão subindo degraus espirituais, amadurecendo, corrigindo defeitos e trabalhando o próprio caráter.
A fé não ficou parada no mesmo ponto. Ela cresce.
E quando uma fé cresce de verdade, começa também a transbordar. É como um rio que sai do seu leito. Já não beneficia apenas a si mesmo, mas alcança aquilo que está ao redor.
Esse crescimento também aparece no amor. A pessoa deixa de viver somente para si. Começa a estender a mão, ajudar outras pessoas e contribuir para a obra de Deus.
Uma fé madura não produz egoísmo. Ela se torna canal de bênção.
Não permita que o pecado dos outros esfrie o seu amor
Vivemos num tempo em que muita coisa pode nos decepcionar.
Podemos olhar ao redor e perceber pessoas fazendo aquilo que não deveriam. Podemos ver o pecado se multiplicando e os princípios de Deus sendo desprezados.
Mas Jesus não disse que o aumento da iniquidade é uma desculpa para o nosso amor esfriar.
Pelo contrário. Precisamos vigiar para que aquilo que acontece ao redor não determine o que vai acontecer dentro de nós.
- Se os outros abandonarem, permaneça.
- Se outros esfriarem, busque mais de Deus.
Se alguém deixar de viver aquilo que pregava, não transforme o erro daquela pessoa numa justificativa para você abandonar a verdade.
A minha fé não pode depender da fidelidade dos outros.
Alimente aquilo que você não quer perder
A fé precisa ser alimentada.
Se queremos que ela permaneça e cresça, não podemos deixá-la sem alimento.
Algumas coisas precisam continuar fazendo parte da nossa vida:
- leitura da Bíblia;
- oração;
- louvor;
- propósitos espirituais;
- conteúdos que fortaleçam a fé.
Também precisamos observar nossas companhias. Pessoas comprometidas com Deus podem nos ajudar a permanecer firmes. E precisamos ter cuidado com influências capazes de minar aquilo que estamos tentando fortalecer.
Isso não significa desprezar pessoas. Significa reconhecer que algumas influências podem atingir diretamente aquilo que estamos construindo.
Em qual grupo estou hoje?
Depois de tudo isso, voltamos ao check-up.
Não é para eu perguntar em qual grupo está fulano. É para olhar para mim. Minha fé está:
- perdida?
- enfraquecendo?
- perseverando?
- crescendo?
Essa resposta precisa ser sincera.
- Se está enfraquecendo, não espere perder completamente para reagir.
- Se está perseverando, permaneça.
- Se está crescendo, continue subindo.
O propósito é chegar ao ponto em que a nossa fé não apenas resista, mas transborde e alcance outras pessoas.
Jesus já avisou que a iniquidade se multiplicaria e que o amor de muitos esfriaria. Então precisamos cuidar para não fazer parte desse “muitos”.
- Se o pecado aumentar ao redor, que não diminua nossa fé.
- Se as dificuldades apareçer, que não roubem nossa perseverança.
- E que, ao fazermos o check-up, possamos perceber que a nossa fé continua avançando.
Não quero apenas permanecer no mesmo lugar. Quero permanecer em Deus e continuar crescendo.
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