Esboço de Colossenses 3:5 – A Avareza é Idolatria

Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria;

Colossenses 3:5 | ARC

A avareza nasce de um desejo que nunca se satisfaz

A palavra avareza está ligada ao latim avaritia, trazendo a ideia de um desejo intenso de possuir e ganhar. No latim clássico, avarus era usado para alguém insatisfeito com aquilo que tinha, alguém que nunca conseguia se sentir plenamente realizado ou feliz.

No português, a palavra passou a carregar também a ideia do apego excessivo ao dinheiro e aos bens materiais, da mesquinhez e da falta de generosidade.

Esse ponto é importante porque a avareza não começa necessariamente na quantidade de dinheiro que alguém possui. Ela começa no coração.

A pessoa pode ter pouco e ser avarenta. Pode ter muito e ser avarenta. O problema é esse desejo que nunca diz: “está bom”.

Sempre falta alguma coisa. Sempre precisa de mais.

Uma das raízes de muitos outros pecados

Na tradição cristã, a avareza aparece entre os chamados pecados capitais. A palavra “capital” vem de caput, “cabeça”. A ideia é que estamos diante de uma raiz de onde outros pecados podem surgir.

E qual é uma das origens da avareza? A insatisfação.

É interessante voltar ao Éden. Adão e Eva tinham tudo aquilo que precisavam. Deus lhes havia dado abundância, mas existia uma única árvore sobre a qual havia uma proibição. Foi justamente ali que apareceu a insatisfação.

Tinham tudo, mas passaram a olhar para aquilo que não tinham. Esse é um perigo.

Às vezes Deus já nos deu tanto, mas o coração fica preso exatamente naquilo que ainda não possui.

O avarento nunca acha que tem o suficiente

O avarento nunca é rico ele está sempre necessitado. A pessoa pode até possuir muito, mas vive como se sempre estivesse faltando alguma coisa.

Alguns não possuem o dinheiro; e sim, o dinheiro os possui. Quando chegamos nesse ponto, já não estamos falando apenas de administrar bens. Os bens começaram a administrar a pessoa.

O dinheiro dita suas decisões. O desejo de possuir interfere nos relacionamentos. A pessoa não consegue descansar porque tudo gira em torno de conquistar mais.

Por isso Paulo foi tão forte ao escrever que a avareza é idolatria.

Quando o dinheiro ocupa o lugar de Deus

“…a avareza, que é idolatria.”

Colossenses 3:5

Idolatria acontece quando alguma coisa toma o lugar que pertence a Deus.

Paulo coloca a avareza nesse nível porque ela faz com que coisas e prazeres ocupem o centro do coração. Aquilo que possuímos deixa de ser apenas um recurso e começa a se tornar aquilo em que colocamos segurança, prazer e confiança.

Jesus também falou sobre Mamom:

“Ninguém pode servir a dois senhores…”

Mateus 6:24

Chega uma hora em que precisamos perceber quem está governando o coração: Deus ou os bens?

A avareza de Judas

Maria oferece um exemplo interessante. Em Betânia, ela realizou um ato de adoração a Jesus, utilizando um perfume muito valioso.

Judas olhou para aquilo e começou a fazer contas. Na aparência, sua preocupação parecia nobre: por que aquele perfume não havia sido vendido e o dinheiro entregue aos pobres?

Só que havia alguma coisa escondida naquele discurso. Judas cuidava da bolsa e tirava aquilo que nela era colocado.

A generosidade de Maria acabou expondo a avareza de Judas. Aquela entrega a Jesus incomodou alguém cujo coração estava preso ao dinheiro.

Isso também pode acontecer hoje. Quando alguém investe sinceramente na obra de Deus, podem surgir pessoas procurando motivos para diminuir aquilo que foi feito, muitas vezes escondendo a própria avareza atrás de argumentos aparentemente nobres.

Judas falava dos pobres, mas o problema estava dentro dele.

Não podemos inverter a ordem

Há uma ordem que precisa ser mantida. Primeiro Deus. Depois, o próximo.

Judas tentou colocar uma falsa preocupação social acima da adoração a Cristo. Mas o seu problema não era realmente o pobre. O texto mostra que havia outra intenção.

Isso nos leva novamente ao check-up. Nem sempre aquilo que falamos revela aquilo que realmente existe no coração.

Podemos apresentar um argumento bonito e, por trás dele, existir avareza, interesse ou insatisfação. Deus vê além do discurso.

A avareza tira a paz

A avareza pode ser uma pequena erva ou já ter se transformado numa grande árvore dentro do coração. Seja qual for o tamanho, seus frutos não são bons.

Ela produz:

  • insatisfação;
  • descontentamento;
  • reclamação;
  • murmuração.

Quem nunca está satisfeito dificilmente consegue desfrutar em paz aquilo que já recebeu.

Sempre existe outra coisa:

  • Outra conquista.
  • Outro valor.
  • Outra comparação.
  • Outro desejo.

E, enquanto isso, a paz vai embora.

Faça também um check-up nessa área

Às vezes fazemos planejamento para tantas coisas e deixamos questões importantes sem organização. A própria administração dos bens precisa de responsabilidade, inclusive para evitar conflitos familiares depois da nossa partida.

Mas existe algo ainda mais importante: a ordem do nosso coração.

Se a avareza estiver impedindo responsabilidade, generosidade ou paz, precisa ser tratada.

Eu preciso perguntar:

  1. Estou satisfeito com aquilo que Deus colocou em minhas mãos?
  2. O dinheiro está me servindo ou eu estou servindo ao dinheiro?
  3. Consigo ser generoso sem sentir que estou perdendo alguma coisa?
  4. Minha preocupação com bens está ocupando o lugar que pertence a Deus?

Esse também é check-up espiritual.

Deus precisa continuar em primeiro lugar

A avareza talvez pareça uma erva menor quando comparada a outros pecados, mas Jesus a colocou entre as malignidades que procedem do coração.

E Paulo foi ainda mais direto:

“A avareza […] é idolatria.”

Então não podemos tratá-la como uma coisa inofensiva.

  • Se existe insatisfação constante, examine.
  • Se nunca é suficiente, examine.
  • Se o dinheiro passou a determinar todas as decisões, examine.
  • Se a generosidade dos outros incomoda, examine.

Porque o problema pode não estar naquilo que possuímos, mas naquilo que começou a possuir o nosso coração.

A prioridade precisa continuar sendo esta: amar a Deus em primeiro lugar e, depois, amar o próximo como a nós mesmos. A ordem não pode ser invertida.

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