Porque quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o houveras recebido?
1 Coríntios 4:7 | ARC
Paulo faz três perguntas que atingem diretamente o orgulho.
Quem me fez diferente? O que eu tenho que não tenha recebido? E, se recebi, por que me glorio como se tudo tivesse vindo de mim?
Essas perguntas colocam cada coisa no seu devido lugar. A vida, os dons, as oportunidades, a família, o trabalho, o ministério e tudo aquilo que possuímos não podem alimentar a soberba. Tudo o que recebemos deve nos conduzir à gratidão e à humildade.
Nos últimos dias, Paulo também descreve homens marcados pelo orgulho. Por isso, precisamos vigiar para que aquilo que está crescendo no mundo não encontre espaço dentro de nós.
O orgulho nos últimos dias
Em 2 Timóteo 3, Paulo apresenta várias características que marcariam os tempos trabalhosos.
Entre elas está o orgulho.
O orgulho não causa dor apenas em quem o carrega. Também machuca aqueles que precisam conviver com uma pessoa que se considera superior, não aceita orientação e sempre quer ocupar um lugar acima dos outros.
Essa é uma característica que precisa ser tratada.
Não queremos apenas identificar o orgulho nas pessoas. Precisamos reconhecer quando ele tenta aparecer dentro de nós.
O que é orgulho
O orgulho pode ser entendido como:
- altivez;
- vanglória;
- jactância;
- conceito elevado de si mesmo;
- ostentação.
O orgulhoso começa a enxergar a si mesmo de uma maneira exagerada.
- Acredita que sabe mais.
- Acredita que não precisa ouvir.
- Acredita que sua maneira é sempre a melhor.
Quando esse pensamento cresce, a pessoa deixa de aprender.
O orgulho impede o crescimento
Quem pensa que já sabe tudo dificilmente aceita conselho.
Por isso, o orgulho impede crescimento pessoal.
Sempre teremos algo para aprender. Sempre haverá áreas que precisam ser corrigidas e coisas que ainda não sabemos.
Quando o coração se fecha para conselhos, também se fecha para a possibilidade de melhorar.
A humildade reconhece que ainda existe caminho pela frente.
O orgulho complica relacionamentos
O orgulho também pesa na convivência.
Ele aparece dentro de casa, no trabalho, na igreja e nos relacionamentos.
Uma pessoa que não aceita ser contrariada, não admite erros e sempre precisa ter razão torna a convivência difícil.
Muitas vezes, o problema não está na situação em si. Está na incapacidade de ceder.
Relacionamentos precisam de humildade.
Deus resiste aos soberbos
“Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes.”
Tiago 4:6
Essa palavra mostra dois caminhos.
- Ao soberbo, resistência.
- Ao humilde, graça.
Se não aprendemos a nos humilhar, Deus permite situações que nos fazem descer do lugar onde colocamos a nós mesmos.
Não podemos esperar que Deus alimente a nossa soberba. Ele trabalha para produzir humildade.
O orgulho de Lúcifer
Lúcifer é apresentado como um exemplo das consequências do orgulho.
A soberba o levou à queda.
Isso mostra que o orgulho não eleva verdadeiramente ninguém. Pode até produzir uma sensação de grandeza por algum tempo, mas seu caminho termina em queda.
Quem tenta subir pela soberba acaba descendo.
Humildade: o caminho de Cristo
O contrário do orgulho é a humildade.
E humildade é uma característica de Cristo.
Se queremos seguir Jesus, precisamos aprender com Ele.
O cristão não foi chamado para viver exaltando a si mesmo. Foi chamado para seguir o exemplo de Cristo, reconhecendo que tudo depende de Deus.
A humildade não nos diminui diante do Senhor. Ela nos coloca no lugar certo.
O orgulho pode aparecer de muitas formas
Ao longo da história, o orgulho sempre foi tratado como algo perigoso.
Tomás de Aquino o colocou entre os pecados capitais. Outros também chamaram atenção para como a soberba pode transformar aquilo que deveria ser virtude em queda.
Há uma verdade simples nisso: quem vive se exaltando esquece que tudo pode mudar.
- Posição muda.
- Reconhecimento muda.
- Bens mudam.
- Circunstâncias mudam.
Por isso, não podemos construir nossa identidade sobre aquilo que temos.
“Quem te diferencia?”
Paulo pergunta:
“Porque quem te diferença?”
Aquilo que temos de diferente não deve alimentar a nossa vaidade.
Habilidades, oportunidades e capacidades não existem para que nos sintamos superiores.
Se alguma coisa boa existe em nós, precisamos reconhecer a graça de Deus.
Não é mérito para vanglória. É motivo para gratidão.
“Que tens tu que não tenhas recebido?”
A segunda pergunta é ainda mais direta:
“E que tens tu que não tenhas recebido?”
Tudo o que possuímos veio de alguma forma até nossas mãos.
Podemos pensar em:
- salvação;
- vida;
- saúde;
- família;
- trabalho;
- sustento;
- casamento;
- ministério.
Se recebemos, não há espaço para agir como se fôssemos a fonte de tudo.
Somos beneficiários da graça de Deus.
“Por que te glorias?”
A terceira pergunta fecha a questão:
“E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?”
O problema começa quando recebemos e depois passamos a agir como se tudo tivesse sido produzido apenas por nós.
A pessoa começa a atribuir a si mesma aquilo que deveria reconhecer como graça.
- Recebe a oportunidade e se gloria.
- Recebe o talento e se gloria.
- Recebe uma posição e se gloria.
- Recebe uma bênção e se esquece de quem permitiu que ela chegasse.
Paulo nos chama de volta à realidade: se recebemos, não há motivo para vanglória.
Não colocar a esperança nos homens
Também precisamos tomar cuidado para não colocar nossa esperança e nossa glória em pessoas.
Homens falham.
Líderes falham. Autoridades falham. Pessoas nas quais depositamos grandes expectativas podem nos decepcionar.
Nossa esperança não pode depender de homens.
Deus continua em Seu trono.
Ele permanece no controle, e a Igreja precisa continuar apegada a Cristo.
Humildade para os últimos dias
Quanto mais os últimos dias avançam, mais precisamos de humildade.
O calendário de Deus continua se cumprindo. Por isso, nossa alegria e esperança não podem estar apoiadas apenas nas conquistas desta terra.
A maior esperança do cristão está na eternidade.
O orgulho faz o homem olhar para si. A humildade faz o homem reconhecer sua dependência de Deus.
Um coração quebrantado
Precisamos entregar a Deus toda forma de orgulho.
Inclusive o orgulho religioso.
É possível conhecer a Bíblia, estar dentro da igreja, exercer funções e, ainda assim, permitir que a soberba encontre lugar no coração.
Não queremos carregar orgulho nem mesmo por aquilo que fazemos no Evangelho.
Tudo vem de Deus. Tudo depende da graça.
Por isso, precisamos de um coração quebrantado e humilde, reconhecendo que aquilo que somos e aquilo que temos não nasceu de nós mesmos.
Se recebemos, não há motivo para nos gloriarmos como se não tivéssemos recebido.
Tudo o que temos deve nos levar a glorificar a Deus, e não a nós mesmos.
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